É sábado, então recomendo tirar um tempo para descansar. Mas para quem ainda quer aproveitar um pouco do dia para pensar e aprender, recomendo fortemente esta entrevista publicada pela TIME e disponível no YouTube.
O link está nos comentários. Vale absolutamente a pena assistir à conversa com Jensen Huang, CEO da NVIDIA. A entrevista vai muito além do entusiasmo do mercado e aborda algo mais profundo: uma mudança real na forma como a própria computação está evoluindo.
Huang enquadra a IA não como uma onda de produtos, mas como uma transição estrutural da computação de uso geral para a computação acelerada. Essa perspectiva ajuda a expandir nosso modelo mental. Ela reformula a IA como infraestrutura, energia, hardware e ecossistemas, e não apenas modelos ou aplicações. É uma daquelas conversas que obriga você a diminuir o zoom e repensar onde realmente reside a verdadeira alavancagem da tecnologia.
E eu, como engenheiro de IA e engenheiro de sistemas, tenho algumas reservas e observações sobre o que é dito nas entrelinhas. A entrevista não é apenas sobre otimismo. É uma defesa estratégica de toda a pilha de IA, desde a política energética aos chips, ao software, à distribuição global.
O que está implícito é que a verdadeira batalha já não é apenas a qualidade do modelo, mas o controlo dos estrangulamentos: computação, energia, cadeias de abastecimento e padrões. Há também um reconhecimento silencioso do risco.
A irracionalidade do mercado pode existir mesmo quando a base tecnológica é real. O crescimento pode abrandar mesmo que o paradigma se mantenha. Para aqueles de nós que construímos sistemas, o sinal é claro: escolher em que camada da pilha trabalhar já não é apenas uma decisão técnica, é uma decisão económica e geopolítica.